São João da FUNDAJ

J.Borges

J.Borges nasceu em Bezerros, Agreste de Pernambuco, em 1935. Filho de agricultores, o artista frequentou a escola aos 12 anos, apenas por dez meses. Antes disso, aos 10 anos, já vendia na feira da cidade as colheres de pau que fazia. Foi marceneiro, mascate, pintor de paredes, oleiro, entre outras tantas atividades. Autodidata, J.Borges escreveu seu primeiro folheto em 1964, “O Encontro de Dois Vaqueiros no Sertão de Petrolina”. O impresso foi um sucesso e vendeu 5 mil exemplares em apenas dois meses.

Para a sua segunda publicação, “O Verdadeiro Aviso de Frei Damião sobre os Castigos que Vêm”, o artista não encontrou um clichê para a ilustração da capa. Por economia, fez ele próprio sua primeira xilogravura, inspirada na fachada da igreja de Bezerros. Começava ali a carreira de xilogravador. “Daquele tempo para cá, não parei mais de fazer gravuras. Com o tempo aprendi mais, criando uma prática que me levou a ensinar no exterior. A gravura para mim foi uma mudança de vida perpétua. Estou hoje com 84 anos, mas não pretendo parar tão cedo”, conta J. Borges.

Com o sucesso dos folhetos, em pouco tempo J. Borges adquiriu máquinas tipográficas e passa a editar o trabalho. Sua xilogravura ganhou projeção a partir dos anos 1970, quando os artistas plásticos José Maria de Souza e Ivan Marquetti, em visita a Bezerros, encomendaram as primeiras gravuras em grande formato, tendo como tema o folclore nordestino. Foram eles que apresentaram o trabalho de J.Borges a Ariano Suassuna.

“Soube que assim que ele viu as gravuras perguntou quem era a fera que fazia aquilo. Logo depois, fui chamado à Universidade Federal de Pernambuco para conhecê-lo e para dar entrevistas a meio mundo de jornalistas que ele tinha convocado. Depois dali eu não parei mais”, contou J. Borges em uma das inúmeras entrevistas que concedeu.

Em mais de 50 anos de carreira, o artista produziu um número incalculável de xilogravuras, passaporte para o reconhecimento internacional. Seu trabalho foi exposto em diversos museus – como o Louvre (França), o de Arte Popular do Novo México (Santa Fé, EUA), o de Arte Moderna de Nova York (EUA) e a biblioteca do Congresso norte-americano (Washington, EUA).

Comparado a Pablo Picasso, em reportagem do jornal New York Times (2006) – que também o considerou “gênio da cultura popular” – J. Borges já emprestou seus seres encantados para o mundo literário, ilustrando livros de importantes nomes como o do uruguaio Eduardo Galeano, “As palavras andantes”; José Saramago, “O Lagarto”; Miguel de Cervantes, em edição comemorativa aos 400 anos D.Quixote (2005), entre outros. O pernambucano foi o único artista brasileiro convidado a participar do Calendário da Organização das Nações Unidas, em 2002, apresentando a gravura A vida na floresta.